loucos

Friday, May 2, 2014

Tristão e Isolda



"A saída é não deixar de procurar uma saída. Talvez as estórias de amor tenham essa função, fazer com que os amantes não desistam de procurar uma saída"

"A Moreninha"

Meu estômago ferve, igual batatinha no óleo bem quente. A vida nos traz tanta coisa boa...mas por que é que ela gosta mais de tirar isso de nós? A vida deveria ser mais poética sabia? Tudo no poético é bonito. O casal é bonito, a solidão é bonita, a briga é bonita, o feio é bonito...
Metáforas deveriam ser a linguagem oficial do mundo. Perigosa mas perfeita para uma vida poética. "O corpo pede um pouco mais de alma" nessa nossa vida tão real, nos textos que são apenas palavras vomitadas em meio de um processo industrial.
Tem gente que conhecemos a vida inteira e não sabemos quem são, tem gente que conhecemos há meses e não sabemos quem são. Metáfora não pode ser usada aqui, as palavras são o que são e como todo bom estudante de direito "palavras ditas o vento leva, então assine aqui".
É isso que dá ser aluno de direito, tudo, tudo mesmo, deve ser assinado, colocado no papel, a palavra solta não vale, tudo deve ser tirado em mais de uma cópia, tudo deve ser colocado em recebido, tudo é investigado; e quem procura sempre acha, não é? E depois de tudo muito bem documentado...ainda paira o prestígio do "pé atrás".
Esses são alguns dos maus de alunos de direito. As duas que são mais importantes são a invalidação da palavra solta e o poder investigatório. São perfeitas! Perfeitas pra acabar com a sua vida metafórica. Ou a real mesmo, tanto faz.
A vida realmente não para, quando pensamos que o problema será resolvido ou que está resolvido, nos aparece mais um e, se você for muito feliz na vida, ele vem bem mais problemático. A metáfora não pode ser usada, mas deveria. O eufemismo não deveria ser usado, mas o é mais que o "eu".
Não queria dizer a mim mesma, mas eu sinto uma falta enorme, gigante, de alguém que nem sei quem é. Sinto falta da Tertúlia de dois e de uma fala que na verdade nunca saiu da minha cabeça "você é uma mulher, muito mais que elas. Mas você é leve. Não deixe que a vida faça você se perder em si mesma e nem que a vida perca em você. É isso que amo em você. Que amamos". Mas você esqueceu de me dizer que a vida só vai pra frente, e corre, que se eu não correr junto ela passa.
Não deixei que a vida se perdesse em mim e nem que me perdi em mim mesma, eu deixei ela passar. Se você me visse agora...Perguntaria "alegria, alegria?" e eu iria rir, como sempre, porque é ridículo. Enfim, estou aprendendo da forma mais brutal o que é deixar a vida passar, queria as suas palavras de novo. Você sabia me animar. Mas a vida passa, eu deixei passar.
Você teria orgulho das minhas metáforas e do meu velho instinto de aluna de direito. E eu te diria "quem está no fogo está pra se queimar". Mas você saberia que é mentira.
Eu preciso de carinho. Preciso de um sorriso, de saber que sou importante além das palavras "você é importante pra mim". Eu peço uma música para o meu coração.
O direito me deu a vida e a morte, e agora eu estou morta. Pensei que estava viva, até um tempo atrás tinha certeza, mas não. Eu sou sacana, chata e chorona. Nada aí é vivo, é tudo bem morto. Essa metáfora é a da morte.
Eu te amo, mas, por favor, não faça isso comigo. Não me deixe triste, esse é um prazer que não deveria existir. Não me deixe investigar, essa é uma atitude suicida. Não me deixe usar das metáforas, elas sempre dizem o contrário do que quero.

Thursday, May 1, 2014

Amor, clareia a minha vida, no olhar


Olhe pra mim. Olhe. Me diz o que vê.
Eu vejo seu olhar que clareia a minha vida.
Quero que toque com sua mão o meu coração. Coloque ela bem aqui no meu peito e sinta. Me diga o que sente.
Sinto que está vivo e que é o meu par.
Agora me diga você. O que vê em mim? O que sente quando toca o meu coração?