Já disse aqui o quanto odeio falar odeio, mas é que não acho
uma palavra tão forte quanto ela para me expressar, ela é uma daquelas
insubstituíveis, sabe?
Quando penso no poema, penso naquela coisa mais pura que
existe, em algo transparente, ás vezes tão transparentes que são translúcidos.
Sei que alguns deles são sujos, bem sujinhos. Mas nenhum que
se compare aos contos do velho bêbado Chinaski, por exemplo.
Mas o problema maior dos poemas são as rimas e muito pior é
quem os faz rimar... Nada contra os autores de poemas, muito menos com os
pseudo-autores, tanto é que já postei poemas... Mas é que pra mim já chega
sabe... Chega de me darem livros de poesias limpas. Chega de ler esses livros.
Chega de dizer que são belos, porque não o são. NÃO O SÃO!
Caramba!
O que eles fazem? Transcrevem um mundo que não existe, um
amor que não existe, uma vida que não existe. Mas não existe porque é tão
perfeita, é tão linda, que nem chega perto do real. Chinaski não, ele é tão
real que a vida é ficção.
Se você, que conhece de psicanálise, psicologia ou o mínimo
dos doidos da literatura, deve ter lembrado depois desse parágrafo de algumas
das frases de Nietzsche, uma delas é a que diz: “Temos arte para
que a realidade não nos
mate.” Agora deve estar me julgando. Pensando que sou uma
idiota que se autocontradiz.
Pode ser.
Mas não. É.
Mas se eu não estivesse me contradizendo, quem eu seria
agora? Vida eu não teria, porque a vida é a própria contradição. Clichê. Nós
sabemos. Mas quem ousa não contradizer?