loucos

Wednesday, February 27, 2013

Hoje é tarde demais para um amanhã


A única forma de livrar-se dos pesadelos se foi. Tentou de tudo. Está tudo dentro da sua cabeça. As teorias, as imagens, as cenas, as falas, os passos, os olhares, tudo; mas se quer da conta de transpor nessa merda de papel virtual, muito menos na crua e fria celulose.
O que acontece agora? O que acontece quando não se joga os demônios pra fora? Vive-se com eles? Acostumamos? Afundamos com eles? Elevamo-nos com eles?

Tornamo-nos como eles. Duros. Frios. Chateados. Raivosos. Choramingando pelos cantos, naquele que era o nosso mundinho perfeito. Tomamos merdas de pílulas e mais pílulas e pílulas. E ainda somos as mesmas merdas raivosas e insanas.


Saia daí garota, saia agora. AGORA. Corra, corra, corra.


Eu sei. Nenhuma pílula te trará de volta. Nenhuma porra de pílula te salvará de si mesma. É tudo mentira; as nuvens não são feitas de algodão, garota.

Tá ouvindo isso? Está? É o choro, garoto. São os gritos, garoto.
Eu posso vê-la caindo, gritando, chorando. Olhando nos meus olhos, sangrando como uma garotinha que perde seu doce. Tão crua. Tão pura.

Ela está aqui, amigos. Comigo. Sangrando. Vocês estão tão longe. Tão...longe.

Ela está aqui, garotos. Comigo. Sangrando. Está esperando a queda terminar, e quando terminar, vai sangrar mais ainda.


Ela está aqui, família. Comigo. Sangrando na porra de uma calçada suja e fedida, onde milhares de pessoas passam e passarão.



Ela ainda está sangrando. Em vocês, ela ainda está sangrando.




“Pai, as coisas ficam muito boas quando a gente esquece, mas eu não esqueci o que você fez comigo. Não esqueci a sua covardia. Agora você vai me ouvir. Tô te mostrando a porta da rua pra você sair sem eu te bater...”

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