loucos

Sunday, October 16, 2011

Meu nome não é calmaria



Aquele mar!Ele sim estava em completa inquietude, e por incrível que pareça, ele gostava. Aquele sol! Era o ano inteiro penetrando na superfície da água do mar e aquecendo-a devidamente para mantê-lo vivo.
Era tão bom ver tudo aquilo. É certo que agora de um ângulo diferente. Afinal, fazia parte de tudo quilo. Como bem queria e primeiramente não sabia.
A nostalgia de beijar sua mulher, pescar, o simples fato de poder suar, era algo não muito raro nem muito comum, mas algo que estava na sua cabeça. Que o fazia pensar na foto tirada pela sua mulher em pleno verão enquanto pensava na pergunta ainda sem resposta: “e agora, o que esta faltando?”.
Talvez fosse a mais bela foto tirada pelo seu amor. Ela não sabia o que acontecera com ele, no que tinha se tornado, mas ainda tinha a esperança de um dia vê-lo. Ele, por sua vez, nunca olhara além da margem da praia. Talvez por pensar que era apenas um estágio ou mesmo por falta de interesse.
Tudo aconteceu como em câmera lenta, lembrava todos os detalhes daquele rosto com feições magníficas e perfeitas, daquela doce e encantadora sonoridade...E de se assustar ao ver aquela enorme calda. Sim, elas existiam! Mas estava completamente seduzido por ela. Não queria ser libertado. Ela? Fez o que estava acostumada a fazer. Ele? Diferentemente dos outros, depois de algum tempo transformou-se na imensidão.
Queria mostrar aquele novo mundo que conhecera para sua mulher. Em um certo dia, decidiu que a levaria para aquele lugar. Fez o possível. Nem mesmo aquelas enormes ondas a trouxeram para ele.
Depois de algum tempo, entendeu que não podia tirá-la dali. Viu que ela ficara em paz novamente. Do jeito dela, achando que sofrer é amar demais.
Passaram-se tempos e tempos. Percebeu então que nunca mais sairia daquela situação. E que assim era melhor. Que agora não faltava nada. Agora podia beijar todo o corpo de sua mulher, cada centímetro; podia protegê-la; tinha o poder de colocar as idéias das pessoas em ordem e fazê-las esquecer que existem paredes que as prendem por todos os lados, visíveis ou não; podia ser tudo e ao mesmo tempo nada.
Descobriu a resposta para a pergunta antes sem. Finalmente soube que repudiava a tranqüilidade cristalizada daquela vida e sentia uma colossal atração pela ressaca do mar; viu que agora era aquilo tudo que sempre almejou ser, que podia ter finalmente a sua inquietude, a ressaca que sempre lhe faltou.
Finalmente teve a coragem de elevar o seu horizonte além da margem da praia e se olhar por completo. E com a mesma intensidade da tranqüilidade de sua antiga vida, a ressaca tomou conta de si, como uma forma de felicidade, a partir do momento em que viu seu corpo transparente, azul e muito, muito além do que se pode ver no horizonte.

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