loucos

Sunday, October 16, 2011

Meu nome não é calmaria



Aquele mar!Ele sim estava em completa inquietude, e por incrível que pareça, ele gostava. Aquele sol! Era o ano inteiro penetrando na superfície da água do mar e aquecendo-a devidamente para mantê-lo vivo.
Era tão bom ver tudo aquilo. É certo que agora de um ângulo diferente. Afinal, fazia parte de tudo quilo. Como bem queria e primeiramente não sabia.
A nostalgia de beijar sua mulher, pescar, o simples fato de poder suar, era algo não muito raro nem muito comum, mas algo que estava na sua cabeça. Que o fazia pensar na foto tirada pela sua mulher em pleno verão enquanto pensava na pergunta ainda sem resposta: “e agora, o que esta faltando?”.
Talvez fosse a mais bela foto tirada pelo seu amor. Ela não sabia o que acontecera com ele, no que tinha se tornado, mas ainda tinha a esperança de um dia vê-lo. Ele, por sua vez, nunca olhara além da margem da praia. Talvez por pensar que era apenas um estágio ou mesmo por falta de interesse.
Tudo aconteceu como em câmera lenta, lembrava todos os detalhes daquele rosto com feições magníficas e perfeitas, daquela doce e encantadora sonoridade...E de se assustar ao ver aquela enorme calda. Sim, elas existiam! Mas estava completamente seduzido por ela. Não queria ser libertado. Ela? Fez o que estava acostumada a fazer. Ele? Diferentemente dos outros, depois de algum tempo transformou-se na imensidão.
Queria mostrar aquele novo mundo que conhecera para sua mulher. Em um certo dia, decidiu que a levaria para aquele lugar. Fez o possível. Nem mesmo aquelas enormes ondas a trouxeram para ele.
Depois de algum tempo, entendeu que não podia tirá-la dali. Viu que ela ficara em paz novamente. Do jeito dela, achando que sofrer é amar demais.
Passaram-se tempos e tempos. Percebeu então que nunca mais sairia daquela situação. E que assim era melhor. Que agora não faltava nada. Agora podia beijar todo o corpo de sua mulher, cada centímetro; podia protegê-la; tinha o poder de colocar as idéias das pessoas em ordem e fazê-las esquecer que existem paredes que as prendem por todos os lados, visíveis ou não; podia ser tudo e ao mesmo tempo nada.
Descobriu a resposta para a pergunta antes sem. Finalmente soube que repudiava a tranqüilidade cristalizada daquela vida e sentia uma colossal atração pela ressaca do mar; viu que agora era aquilo tudo que sempre almejou ser, que podia ter finalmente a sua inquietude, a ressaca que sempre lhe faltou.
Finalmente teve a coragem de elevar o seu horizonte além da margem da praia e se olhar por completo. E com a mesma intensidade da tranqüilidade de sua antiga vida, a ressaca tomou conta de si, como uma forma de felicidade, a partir do momento em que viu seu corpo transparente, azul e muito, muito além do que se pode ver no horizonte.

Déjá vu


Estávamos no Hospital de Olhos e ela passou mal. Tinha feito quatro pontes de safena e todas tinham entupido. Seu coração bom funcionava cinqüenta por cento.
  Passado algum tempo, ela acordou. Sorriu. Disse que não era só pelo fato de ter ficado muito em pé que seu coração não agüentou.
  De repente, disse que queria vomitar, peguei alguns papeis e dei a ela. Era tarde demais. Olhou-me com um sorriso maior do que o do início. Seus olhos? Eram caramelos e estavam vidrados. Seu pescoço fazia uma parábola com a maca. Deu um “ronco”. Um “ronco” bem característico de algo que eu não queria acreditar.
  “Entuba, entuba! Massagem cardíaca! Adrenalina. Não, não, direto no tubo do soro! Massagem! Ela é diabética. Vamos, vamos, ela precisa reagir!”
                    -Moça? Moça?
                    -Sim.
                    -Precisamos saber quem é o cardiologista dela.
                    -Eu...Eu sei quem é. Ricardo o nome dele. Mas... – franzi a testa.
  Ela saiu, me deixou ali. Mais parecia que a Terceira Lei de Newton não era verdadeira. Todos aqueles procedimentos nunca sairão da minha mente.
  Depois de uma hora e meia de tentativas, veio a confirmação médica de um óbito já atestado por todos a mais ou menos seis meses.
  Um olhando para o outro. Não entendiam nada. Ou não queriam acreditar naquilo.
  Depois de horas, ela estava ali, no interior de Goiânia, na sua casa. Mais precisamente na sala. Ah...Aquela sala. Muitas memórias ressurgiram ali com ela no caixão. Parecendo mais uma Bela Adormecida.
  Aquela sala se transformou. Coisas que já mais tinha visto e estavam ali sempre, saltaram aos meus olhos. Na parede na minha frente e atrás do caixão, estava a foto mais linda dela. A única que deixara tirar depois de ter engordado alguns quilos. E no meio do velório dei um tímido e distante sorriso.
  Era preciso reagir. E rápido. O senhor já ia fechar o caixão. A coragem surgiu em meus pés e me fez ir mais perto do caixão. A coragem surgiu em minha mão e tirei minha mãe dali, que era a sua irmã. No ultimo momento, toquei seu rosto maquiado. Estava diferente. Como? Isso não sei. Talvez o formol? Talvez o modo como eu a via agora? Não sei.
  Olhei para a janela. O sol já vinha. E quando ele bateu na janela da sala, iluminando aquele lugar insalubre, ela se foi. Abraçada com minhas duas mães, uma lagrima caiu. Já era o bastante.
  Saímos como em peregrinação em direção ao cemitério. Cidade pequena, todos conhecem a todos. O calor do sol tomou conta de todos. As lagrimas evaporavam rapidamente. O suor brotava das mãos entrelaçadas. Do corpo brotava o cansaço, desanimo. Os passos eram mais lentos, como se o tempo fosse ficar mais lento, e mais lento e mais lento. Até parar.
  Chegado no cemitério a vala estava ali, aberta ao próximo corpo. E o próximo foi o meu mais próximo. Ela não pôde ficar.

                    -Acorda filha. Filha?!
                    -Han?! Mãe?
                    -Você já está atrasada pra aula.

  Às treze horas fui ao Hospital de Olhos. E tudo parecia começar de novo. Mas agora com uma pequena diferença. Era real.

Saturday, October 15, 2011

Enfim o frio cessa e o calor ardente reina.Amém! [ou O Velho e o Moço]

Era tão inocente, mas ao mesmo tempo tão homem, como se os dois não pudessem ser aliados...
E era ao mesmo tempo tão decepcionado com sigo mesmo.Não pelo trabalho, mulher, filhos ou família, mas por sentir que ão podia ser quem queria ser quando tinha os seus 18/20 anos.Com seus ideais, pensamentos, criticas à flor da pele.Não que não gostasse da sua vida, mas sim por ser obrigado, tragado pelo sistema, assim como seus amigos idealistas o foram.
Para sentir o que sentia quando tinha os seus 18 anos, fazia uma coisa que é simples, até mesmo meio infantil, mas que lhe dava enorme prazer.
Se trancava no quarto.Onde desligava as luzes, deixando apenas o abajur monocromático ligado (dava um ar de "bar sujo de quinta categoria" ao quarto, já que ele era extremamente desorganizado).Depois pegava a enorme poltrona, reclinava-a ao máximo; pegava o ventilador e colocava-o bem na sua face.Sentia aquele vento, fechava os olhos e podia sentir um turbilhão de coisas.Aquilo o deixava mais vivo e feliz do que qualquer outra coisa.
As vezes sentia um frio...mas não podia, não queria sair dali.Não agora,não mais, não,nunca mais!Podia sentir e ouvir novamente as guitarras, as baterias, os contra-baixos, os gritos...Ahhh o rock'n'roll.
Pensava então, que estava no topo de uma montanha, aquele vento frio, ele arrepiado, quase tremendo, quase caindo daquela montanha, quase transcendendo anos passados.Imaginava o que aconteceria se saltasse dali.Onde daria aquilo tudo?Onde seria o próximo lugar a imaginar?Até um dia, em que saltou dali.
Quando decidiu faze-lo, o fez com o coração.Saltou e sentiu um frio na barriga.Estava arrepiado, mas isso não importava mais.
Ainda na cadeira, abriu os braços na tentativa de sentir mais a resistência do ar sobre seu corpo.Sentia que caia cada vez mais e mais e mais e mais e mais e mais e mais.......................................
Sorriu.Poderia jurar que seus olhos estavam lacrimejando por conta do vento.Poderia jurar que viu a mulher-bomba de 17 anos que atacou, junto com outra, as estações de metrô de Moscou Lubianka e Parque Kulturi.Poderia jurar que viu Saramago.Poderia jurar...
Ocorreu que não conseguia mais respirar, um desconforto gástrico o deixava inquieto,mas ele continuava caindo.
Ele caia e caia...
Até que morreu.Overdose.Usou muita Psilocibina.Mas morreu feliz pelo menos; e com duas verdades que poucos sabem: que os jovens são sim imortais e que o céu é quente, muito quente.


“Romper com a falsa harmonia, com o falso equilíbrio e assim, depois da morte-ainda intensos - seremos um fantasminha claro de amor”



 Vida depois da morte? Morte depois da vida? Há quem dera se houvesse um aparelho, ou algo parecido, para nos mostrar como é depois, depois de tanta vida, depois de tanto falso moralismo. Mas talvez não fosse tão bom alcançarmos essa “lenda utópica”, já que esse é o mistério da morte. E vai saber se não teria o mesmo efeito de uma rosa de Hiroshima...
 Impressionante como que mesmo vivos nos importamos tanto com a morte e com o velho enquanto estamos moço. Tentamos romper com tudo, vamos por alguma força maior, até o primeiro andar buscar saber quem somos, e se alguém numa curva te convidar, aaah! Você vai lá.
 Vamos um pouco mais além, subimos ate o sétimo andar, e quando o sol bate na janela do quarto você percebe que tudo o que disseram era mentira, que harmonia não existe, que equilíbrio é só aquele estudado pela área de exatas mesmo. Que aquele velho moço não estava desequilibrado, apenas além do seu tempo.
 Você ainda no sétimo andar hesita e decide pensar um pouco. Pensar sobre tudo o que já pensou e o que ainda não pensou. Pensa então nos filósofos suicidas e nos agricultores famintos desaparecendo embaixo dos arquivos. Fica então com raiva, raiva porque desde pequeno come lixo comercial e industrial e lembra que é o filho da revolução e que chegou a sua vez, vai cuspir de volta o lixo em cima de todos os “enlatados”. Lembra-se de todos os “xanéu nº 5”. Fica enfurecido, mas acalma-se e passa para outra fase.
 Pensa sobre o amor, e como ele é importante, lembra-se da musica: “ainda que eu falasse /a língua dos homens/ e falasse a língua os anjos/ sem amor, eu nada seria...”. E sim, concorda plenamente, dessa vez sem hesitar. Mas o seu lado negativo se sobressalta e lembra que o amor é como a soma de duas metades, mas assim como vem ele vai. E quando isso acontece, você chora café e ela leite.
 Você ali no sétimo andar tenta subir mais, mas a força acabou e decide ficar ali mesmo, amargando suas dores e criando uma atmosfera de intenso desequilíbrio e desarmonia.
 Sabe que precisa tomar alguma atitude, fazer algo, mas não da conta, fica ali, estático, sem pensamentos, realmente como uma planta, apenas irradiando calor. Com um sentimento grandioso de sair correndo dali, você realmente não queria ficar.
 Ouve então a voz daquela força que te levou antes ao primeiro andar: “Deus sabe, o que eu quis foi te proteger do perigo maior que é você, e foi difícil te levar aquele lugar, você não queria ficar”. Fica ali na janela, pensa “e se eu fosse o primeiro a voltar pra mudar o que eu fiz, quem então agora eu seria?”
 Agora já foi. A imagem que vai ficar é do teu olhar ao ver a flor, o seu amor, você ali na janela precisando só de um pequeno empurrão pra ir ao encontro dela, então você começa a chorar, chorar o leite e ela o café. Você sorri e vai... Joga-se, sem se preocupar com o resto.
 Chegando mais perto da sua flor escuta novamente a voz, agora dizendo “eu sou a morte e esse é só o começo do fim da sua vida, deixa chegar o sonho, preparei a avenida pra que você e sua flor pudessem passar, então agora vai”. Você lembra então de Pierrot, e fica esperançoso em encontrá-lo. Mas antes de ficar ali na calçada com sua flor, canta “Adeus você, que eu hoje vou pro lado de lá. Eu to levando tudo de mim, que é pra não ter razão pra chorar”.

Meu Pierrot


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces(...).E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados.Eu ficarei só,mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.E todas as lamentações do mar,do vento,do céu,das aves,das estrelas,serão a tua voz presente,a tua voz ausente,a tua voz serenizada.Eu te amo,além do amor.How wonderful life is now you're in the world. 

Tuesday, July 26, 2011

Cachorro de um, inferno de outro.

Está calor, eu realmente necessitava de um novo Abraão. Que chamasse outro alguém e me refrescasse a língua com pelo menos a ponta do dedo molhado em água, pois em chamas eu sou atormentado.


Sim, eu sinto o cheiro dele, sua respiração ofegante, seu cheiro insalubre que fica impregnado aqui. Não posso mais, acho que não agüento tanto ser mão, tanto “faz, não faz”. Por que eles fazem isso comigo? Por que não me deixam viver o que eu quero? Eu já experimentei, já fui colonizado, civilizado e humanizado é o que mais fui, mas não entendo como isso foi possível. Não tive vontades? Não tive força pra enfrentar a tal sociedade? Ou as minhas vontades -desejos - que são dos outros, que foram transfiguradas pra eles ou simplesmente limitadas por eles?

Sentia medo do olhar para eles, de como mostravam suas garras, seus dentes, de como os olhares iriam me validar. Como seria agora? Quais seriam as restrições, as limitações impostas por eles? Qual seria o padrão de hoje? Eram tantas perguntas e nenhuma resposta que se qualificasse.

A angustia foi tanta, que os “Insalubres” me deram a oportunidade de ficar sem eles, durante sete dias. Como me sentia? Sentia-me nas nuvens, como se eu pudesse fazer tudo o que gostaria. Então começou.

No principio começou o desapego às regras e aos moldes da sociedade. Houve tarde e manhã, o primeiro dia.

Desapegando-me, pela metade, das regras e princípios, tentei conviver com os “antigos eu”. Houve tarde e manhã, o segundo dia.

Não tendo mais regras e princípios, tentei reforçar a amizade com os “antigos eu”. Houve tarde e manhã, o terceiro dia.

Sem regras e princípios, fui expulso da sociedade dos “antigos eu”. Mesmo sem entender o porque de me chamarem de louco fui, e fui feliz. Houve tarde e manhã, o quarto dia.

Regras e princípios abolidos, sem os “antigos eu”, denominado como louco e agora infeliz e com um desejo enorme de voltar ser que eu era, houve tarde e manhã, o quinto dia.

Fiz um apelo aos “insalubres”, que me readmitissem em sua ordem, em seu sistema. As coisas estavam piores do que antes. Estava sem o meu alterego, sozinho, louco, sem limites, sem consciência, sem juízo. Os “Insalubres” me buscaram, me deram apoio, conselhos, e claro, ordens e limites a serem seguidos. Voltei então ao “meu eu” necessário. Houve tarde e manhã, o sexto dia.

Cheguei ao lar dos “Insalubres” e dos “antigos eu”. Terminou então no dia sétimo a liberdade concedida pelos “Insalubres”. Descansei então durante todo o dia e o santifiquei, porque foi nesse dia que percebi a importância do outro pra formação da minha identidade. Na verdade o outro é a minha salvação, salvação pra não me tornar uma Amala ou Kamala.

Não compreendia o porque de os outros terem de ser os meus juizes, o meu espelho, o porque de ficarem dentro de mim. Mesmo que eu não os quisesse, eles estavam ali, sempre mostrando suas garras e com aquela respiração ofegante. Mas hoje está tudo bem mais claro, mais norteado.

Não, não podemos matar o cachorro dentro de nós, é ele quem nos deixa nos eixos, é ele quem nos diz as coisas que sabemos que temos que fazer, mas não fazemos. Mesmo não gostando deles, eles são sim salubres, mesmo que em parte.

Mesmo sendo os outros o inferno, é preciso dele e saber conviver com ele. Eu, que já não o tive por sete dias, vi tudo se desconfigurar, fui como uma abelha em um enorme pote de mel, me lambuzei com a liberdade dada, tudo porque não tinha o outro.

E mesmo sendo o outro a causa do seu sofrimento, ele é um sofrimento necessário, e um sofrimento que viverei eternamente com ele, aqui no inferno.

"Não me entrego sem lutar/Tenho, ainda, coração/Não aprendi a me render/Que caia o inimigo então"

Texto mega antigo,que escrevi para um outro blog. É só que achei bonitinho e deu uma certa nostalgia do tempo de quando escrevi esse texto.

Pois bem, "há uma juventude ainda não vista por todos", mas por que? Qual o motivo de esconde-la? Será mesmo que não é vista? Achar que essa velha nova juventude não é vista é ainda um pouco de imaturidade. Veja bem, como uma coisa que não é vista é tão escondida por nossos políticos, tão moldada por nossa mídia e tão criticada por nossos amigos jovens? Sim, todos sabem que ela existe e a escondem porque sabem o poder que ela tem se deixarem um novo Iluminismo os encherem da cabeça aos pés.
Se a nossa própria juventude critica os "nerds" por serem críticos e os "burros" por serem desleixados, quem eu vou ser? Por quem e para quem "eles" fazem isso? Por um futuro melhor? Melhor para quem amigo? Para os grandes caminhões cheios de insalubres dinheiros que saíram do meu bolso e foram parar em casas milionárias, em lixeiras de ouro, em contas inexistentes, em panetones? Tenha paciência amigo.
Não me excluo do conformismo e da hipocrisia, visto que é inerente a sociedade e nela tenho que manter viva e assim sendo hipócrita comigo mesmo e com vocês que lêem, ou seja, nada disso vale. Ou não valeria se eu tampasse meus olhos e não tivesse força de vontade para nadar contra a maré. O que vale aqui é a ação, não a intenção(reflitam).
O problema não está na mídia ou no sistema ou no ser humano ou, ou, ou. Está em tudo isso, no conjunto disso, não sou comunista, socialista ou anarquista, mas admito que acho bonito o socialismo. Talvez pela grande idealização de uma sociedade onde tudo é de todos e blá blá blá, mas sinceramente, não acredito no que admiro, Rosseau pode estar certo ou errado, nesse momento não interfere muito, já que a sociedade já foi implantada nas minúsculas cabeças desses paseudoshumanos, e agora tudo está assim. O homem é mal por fábrica Rousseau, somos a geração coca-cola. Durkheim estaria certo? Que tal quebrarmos essa tese? A vontade tem que passar o limite e não do limite ok?
Não sei vocês, mas eu não faço escambo com a mídia e o seu novo mito da caverna e pão e circo. Eu, ao contrario de muitos, quero fazer a diferença, quero ser mais que um índio e seus espelhos, quero ser apenas eu mesma em todos os lugares. Pois bem, olha só a individualidade não é mesmo?!
Porque isso tudo não muda? Por que não reviramos aquela Brasília que comemora 50 anos de lixo, corrupção e semelhantes, por que não a quebramos? Talvez ela foi feita para isso mesmo, para que a junção de milhares de pessoas naquela cidade plana não seja reconhecida. E olha que interessante, ela é a unica cidade homogênea não é mesmo?
Respondendo as questões, talvez porque a nossa história ainda não esteja no fim. Mas será que as perguntas são essas? "NAO ADIANTA CONCERTAR O RESTO, CONCERTAR A GENTE, AJUDA PRA CARAMBA"

Friday, July 22, 2011

?

Pra mim tá tudo bem assim. Deixa eu sonhar na vida real, do jeito que tá. Deixa eu me auto iludir, ou melhor, mentir.
Te querer cada vez mais, querer o seu abraço, as suas piadas nerds mais idiotas possível, sua insanidade por tudo que tiver sexo.
Eu não quero você só assim, do jeito que é, mas também do jeito que não é. Imperfeição.
Mas 
e se não der?
eu choro
ou continuo
no faz-de-conta?
e se couber?
me guardo
ou continuo
no faz-de-ponta?

"We all want to forget something, so we tell stories. It's easier that way."

Ps.: pode não ter muito sentido pra você, mas pra mim tem sim.

Wednesday, June 1, 2011

Tá Tá Tá

As cosias estão difíceis sabe... Nenhuma inspiração que eu goste e tenha coragem de postar.
Alias, isso me preocupa muito sabe, é como se algo estivesse errado em mim, como se não fosse eu.
Algumas pessoas me falaram que esse estado de calma, não ter nada pra reclamar ou dizer é bom, melhor do que a conturbada vida de um adolescente. Mas espera aí, então eu já sou adulta?! Como assim???????!!!
Se isso aqui é ser adulta, ficar como uma planta, vegetando e resolvendo problemas dos outros que são os mesmos que os seus e de todos os dias.... sinto muito, mas prefiro ficar eternamente na "conturbada vida de um adolescente", produzindo histórias fajutas que normalmente não fazem sentido algum! Sério.
Viva a adolescência adulta! Não é pedir de mais, não é exagerar, não é ser louca, não é ser idealista, não é ser romântica, não é querer fugir da responsabilidade, não é.
É só que, como já disse na apresentação do blog, eu gosto da contradição, do oposto, do dito "impossível" pelos vegetais, da luz e das trevas, do açúcar e do sal...enfim, gosto da junção daquilo que a maioria tenta separar. Não escolho um, mas sim todos. Não escolho ser uma, mas sim todas.
Olha só onde já cheguei...AYAY!

Só pra deixar registrado, não sei quando volto a escrever, ou quando transcreverei os textos do caderno pro blog, mas um dia o farei. Paciência. Ainda estou aceitando a condição da vida nova.
FIM 

Tuesday, April 12, 2011

O Cheiro do Meu Ralo


Estou esperando ser atendida pelo médico. No exato momento lia ”Crônica de um amor louco” de Bukowski. Veio de um jeito tão insano aquele cheiro que me consumiu a alma, praticamente desmaei.
Fiquei procurando de onde vinha aquele cheiro insuportável que agora vinha de tempos em tempos, conforme o vento abafado da tarde. Claro que não fiquei andando de um lado pro outro, eu estava em um local público, tinha que ser discreta e minuciosa pra não parecer que o fedô era meu, então fiquei olhando em volta e pensando o que 

poderia produzir aquele fedô. Descobri o que era quando olhei para o banheiro.
Era antigo. O prédio era antigo, por tanto só poderia ser a encanação…o ralo! Não tinha dúvidas de que era ele, só poderia ser!
Na hra me senti…indiferente. “Tanto faz ser o ralo ou o pum de uma pessoa qualquer. Foda-se o cheiro do ralo!”, pensei. Mas passado um tempo, aquilo foi ficando insuportável.
Passados alguns minutos comecei a dar aquela risadinha de canto de boca, é que finalmente me lembrei: “O cheiro do ralo”…. Um filme que tinha visto fazia pouco tempo, e que me comoveu realmente. O engraçado era que eu estava fazendo a mesma coisa que “Lourenço”, queria lutar contra aquele cheiro, queria cimentar aquele merda de ralo! Mas eu já sabia no que ia dar isso…
No que deu? Bem, pra quem não leu o livro ou não viu o filme, lá vai: ele nadou na merda literamente!
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Precisei de um dez minutos pra aquele cheiro sair de mim, sair do meu corpo, mente e coração. Aquilo estava me corroendo. Foi aí que fui finalmente chamada pra ser “analisada” pelo médico.
Quando me levantei fechei a porta do banheiro, uma pessoa me olhou e eu disse ”tava um fedô aqui né, é o ralo”. Olhei bem em qual conto tinha parado do livro, era “A máquina de foder”. Fechei o livro.
Foi só nesse momento que consegui nomear aquele cheiro. Sem dúvida nehuma era o da hipocrisia e coisificação.
E você, qual é o cheiro do seu ralo? Hãn?

Tango Argentino

Já o tinha visto em outras ocasiões, mas hoje em especial ele não estava ali.Então sem querer tive que sair correndo deixando algumas moedas ainda no meu bolso.Não gostava das moedas, elas me irritavam com seu barulho.

No outro dia, quando dei por mim, já tinha passado do local onde ele ficava.Não tinha percebido e me senti muito mal, como se estivesse fazendo algo errado.

Depois de alguns dias nem me lembrava mais dele.Talvez pelo trabalho?A pressa?O egoísmo?Não, não.Não eu, que isso!Eu que sempre dei as moedas pra ele, sempre falava "oi", sempre dava o dinheiro pro seu "pingado quente"...Não mesmo.

Anos se passaram.Já tinha saido da cidade a um bom tempo.Nada mudou, a não ser pelo fato de na cafeteria ter um senhor que me chamou e disse algo que não lembro direito, mas era da época da minha infância.

No dia seguinte, fui a mesma cafeteria.O cara, o papo, o sopapo já não estava lá, o que restava era apenas um papelão.Perguntei o que havia com o senhor que ficava ali, a moça sutilmente me deu a resposta.Disse que ele tinha ido, já era tarde pra restaurar o que tinha feito.Não entendi.Também, nunca o tinha visto antes.

Passou algum tempo, me veio a cabeça o que ele tinha me dito: "A única coisa a fazer é tocar um tango argentino".Sim, eu agora lembrava quem ele realmente era, mas era tarde demais.Tarde pra dar as moedas a ele.Mas não a outro que ocuparia o seu "cargo".Ele é agora Homem de pedra, de pó.
Mas ainda da tempo, tempo de não acomodar com o que incomoda.

"Se quer saber, deixa estar"

Bem, estamos eu e meu primo conversando sobre a sua faculdade de medicina na UFG. Ele, sempre tímido, me surpreendeu quando ficou revoltado ao perceber que ele após uma aula de anatomia, de ver uma pessoa ensanguentada, comia sem problema algum, alí do lado mesmo. Um almoço, uma cochinha...o que fosse.Tinha que se alimentar, não é mesmo?!
Disse ainda que nos primeiros dias olhava as carnes e via que pareciam com aqueles corpos que tinha acabado de manusear. Mas não tinha nada o que ele podia fazer, era aquilo que tinha decidido fazer da vida, e a cada escolha que fazemos na vida, sempre sofreremos com as consequências.
Pra mim ele não está errado, aliás, podemos generalizar isso. Olhe só para você, com o que se acostumou devido ao seu trabalho, ou até mesmo amigos? Muitas coisas não é mesmo? Acho ainda que esse comodismo é o tal do "mal necessário". Pense como seria sem ele...
Por outro lado, deixamos muitas vezes de sermos nós mesmos por conta da necessidade que temos de sempre responder as expectativas das outras pessoas, nos acomodando e aceitando coisas que para nós são, no paradoxo, inaceitáveis.
Um amigo meu disse certa vez que tinha orgulho das crianças e adolescentes, não pela pureza ou ingenuidade, mas pela capacidade que têm de não quererem se acostumar, de fazerem de tudo para não serem como os pais, acomodados. Mas sabe qual é o nome disso? Rebeldia. Para os já infinitamente mais vividos que os filhos isso é uma perturbação, um mal que nada nada é necessário, pelo contrário.
Para os pais e para mim, é apenas uma fase. Fase boa para os filhos e de sofrimento para os pais. Uma fase onde não só o "não querer ser acomodado" toma a frente, mas também os ideais. Ideais estes que por muitas vezes, como regra, acaba se perdendo no decorrer da vida, já que você cresce. E ai dos tipos de adultos que mesmo adultos ainda não se acostumaram a acostumar.
Eu prefiro mesmo ser "essa metamorfose ambulante", mas sabe como é, a idade vai chegando, vamos conhecendo o mundo, e temos que ser assim, temos que "ter aquela velha opinião formada sobre tudo"....
...
...
...
Merda de comodismo, como posso com isso!